domingo, 16 de junho de 2013

Fundação ou não Fundação? O caso da Coudelaria de Alter do Chão.

A Coudelaria de Alter do Chão foi fundada em 1748 por D. João V, desenvolve atualmente, trabalhos de seleção e melhoramento de cavalos Lusitanos e investigação, possuindo ainda uma unidade clínica dotada de todos os meios para o acompanhamento e tratamento médico. As instalações da Coudelaria de Alter do Chão albergam também um pólo da Universidade de Évora, outro dedicado à formação profissional e infra-estruturas hípicas e desportivas , além do laboratório de genética molecular. O turismo temático e ambiental e a falcoaria são outras das áreas que fazem parte do dia-a-dia da Coudelaria. 

Para quem está minimamente atento à atualidade, mesmo não percebendo da matéria ou tendo interesse nela, lembra-se (ou faço eu lembrar agora) que quando há competições equestres internacionais, é muitas vezes a Coudelaria de Alter Real que leva a bandeira de Portugal!
Além da forte componente de turismo (visitas à Coudelaria, exposições mas também estadias), decorre anualmente um leilão de equinos da Coudelaria de Alter do Chão onde milhares de criadores, não apenas nacionais, mas vindos também das regiões espanholas da Extremadura e Andaluzia, de França e da Bélgica, marcam presença. Eeste é ainda o mais antigo leilão do país dedicado aos cavalos de raça puro-sangue Lusitano.

Em 2007, no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, o o Serviço Nacional Coudélico foi extinto e foi criada a Fundação de Alter Real (fundação privada de fins públicos), com 30 Fundadores que investiram cada um 50 mil € (entre eles o BES, EDP e outras entidades públicas como Municípios). Isto ocorreu quando era Ministro da Agricultura Jaime Silva, referido por Marcelo de Rebelo de Sousa como "o maior incompetente do mundo", com o objetivo de reduzir o financiamento público, ou seja, a chamada desorçamentação.

Em Dezembro de 2012 a ministra Assunção Cristas afirmou que o modelo de gestão como Fundação não estava a resultar pois gerava muita dívida, e colocou em cima da mesa a gestão apenas por privados. 

Soubemos no dia 13 de Junho de 2013 que a solução encontrada foi a extinção da Fundação e a passagem de competências para a Direção Geral de Alimentação e Veterinária Companhia das Lezírias. O Estado vai assumir as dívidas e o passivo e volta tomar as rédeas e a administração direta do património e da atividade da Coudelaria! Ou pelo menos assim esperamos!
Concluindo, a Coudelaria de Alter é auto-sustentável? Não! É cronicamente deficitária? Sim! Vai continuar a dar prejuízos? Sim! Deve ser encerrada? Não!

Ser uma Fundação ou não ser uma Fundação tem de ser um aspeto secundário quando se trata de preservar  algo tão Português (afinal de contas quantos países conhecemos que possuem a sua raça de cavalo? Não há assim tantos...), tão importante e com tanta história, e acima de tudo um serviço de interesse público que contribui para dar a conhecer Portugal ao resto do Mundo (Portugal não pode ser apenas o Benfica e o Mourinho e o Ronaldo e o vinho). E estes Governos precisam de abrir os olhos e perceber os danos que causam com as suas más decisões. Acima de tudo eu diria: parem de tentar racionalizar entidades tão importantes como esta!
A quem nunca lá foi recomendo a visita!


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