domingo, 21 de julho de 2013

Desconstruindo António José Seguro

O quase acordo
António José Seguro, um homem da máquina do PS, um auto intitulado Socialista, um defensor do fim da austeridade e da prossecução de um novo rumo para o país! António José Seguro... um hipócrita!

Janeiro 2013 - PCP e Bloco de Esquerda apresentaram no Parlamento dois projetos para o aumento imediato do salário mínimo para os 515€ . PSD e CDS naturalmente votaram contra e o PS... absteve-se... [1]

Fevereiro 2013 - António Costa e António José Seguro reunem-se várias vezes numa altura em que a liderança do partido estava tremida antes do Congresso do PS. E uma das divergências entre os dois era o salário mínimo nacional. António Costa defendia que o salário mínimo deve ser objecto imediatamente de uma atualização extraordinária imediata, enquanto que Seguro considera que deve manter em linha com a produtividade nacional - ou seja, congelado, como todos os restantes salários determinados pelo Estado e em sintonia com o que defende a troika. [2]

Março 2013 até ao presente - António José Seguro defende o aumento do salário mínimo. Para 500€? 515€? Ninguém sabe, ele nunca disse. [3]

Mais uma vez a história repete-se, e os moldes são SEMPRE SEMPRE iguais, mas usarei a realidade como exemplo:
1) Está um partido no Governo, imagine-se o PS.
2) Outro partido, neste caso a coligação PSD/CDS chega ao poder depois de mentirem descaradamente na campanha eleitoral, não perdendo tempo em esquecer tudo o que haviam dito para executar as medidas opostas às defendidas quando anteriormente na oposição;
3) O anterior partido do Governo, agora na oposição (PS) bate a bola baixa durante uns meses, os suficientes para que a memória do povo seja obliterada ou esperando que a governação atual seja ainda pior que a anterior, para surgir das cinzas com uma nova face e um novo líder prometendo fazer tudo ao contrário do que está a ser feito no país, apenas para chegar ao poder e enfiar na gaveta os discursos e medidas prometidas.

É a hipocrisia do costume...

Sobre as negociações desta semana os documentos tornados públicos por PS [4] e PSD [5] são elucidativos do pântano em que estamos. Quem ler os documentos verá que não são mais do que conversa fiada. Sobre o PSD a falta de credibilidade fala por si e já nem vale a pena dizer nada. O PS, que diz que quis negociar, quer fazer acreditar aos Portugueses que esteve a defender os interesses do país, e para tal levou para aprovação dos restantes partidos um documento que entre as inúmeras repetições de medidas e do termo compromisso (19x) tem os seguintes aspetos particulares:

1) pg 1 "Não há acordo sobre nada, enquanto não houver acordo sobre tudo"; pg 10 "A divergência ou a oposição a uma determinada linha política não impede cada partido político de contribuir para a convergência em determinadas áreas essenciais da nossa vida coletiva"
2) pg 10 "O PS ambiciona governar o país com maioria absoluta". E isto é um documento para compromisso, ou seja, PSD e CDS teriam de concordar pasme-se...
3) pg 10 "Aumento do salário mínimo". Já foi analisada a hipocrisia de António José Seguro.
4) pg 8 "A privatização da TAP deve ser feita a um operador lusófono". Irónico que depois no discurso ao país sobre a conclusão das reuniões António José Seguro venha dizer que o PS se bateu contra a privatização da TAP...
5) pg 8 "O PS opõe-se à privatização das Águas de Portugal". Então não era o Governo Sócrates que estava a preparar esta privatização? Como se viu antes, na oposição as medidas do partido parece que mudam...
6) E depois em vez de terem medidas concretas com números, escrevem as coisas mais banais por exemplo "O PS defende uma reforma do Estado que garanta a sustentabilidade das suas funções" e quanto a medidas a implementar refere-se "Combate à fraude e evasão fiscal" ou "Simplificação fiscal" ou "Criar um tribunal especializado para dirimir casos de investimento estruturante (incluindo aqui o investimento estrangeiro)"... Então e prazos? E custos? E objetivos? NADA, no documento não há nada concreto! Também o PSD e o CDS de certeza que defendem que o Estado deve garantir a sustentabilidade das suas funções, ou que se deve combater a evasão fiscal... E é isto que chamam Compromisso de Salvação Nacional

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